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segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

A Lembrança não podem roubar

Mesmo sabendo que ele não viria, continuava sentada debaixo da chuva naquela tarde tempestuosa em que nem os pombos apareciam para lhe fazer companhia. Seus olhos não procuravam por nada, não havia o que procurar. Seu olhar vazio direcionava para o horizonte , equanto as lembranças de um dia completamente diferente vinham à tona.
Com os olhos marejados piscou, e assim que uma lágrima tocou sua bochechas avermelhadas , conseguiu viajar no tempo para um dia distante e bem ensolarado . Havia um homen ajoelhado que segurava algo pequenino e preto nas mão.Uma moça sentada no banco olhava o homem atentamente , os longos cablos negros caiam em seu rosto , os lábios estavam comprimidos em um misto de surpresa e alegria.Assim que ele disse as palavras mágicas , ela rompeu seu silêncio com muitos sim,sim,sim. E ele finalizou : você é o amor da minha vida. A jovem se inclinou para beijá-lo ...
Uma trovoada a despertou e acabou com a viagem à aquele passado que já se confundia com iusão, e o barulho estrondoso trouxe consigo uma pontada de dor tão grande que quase a fez vomitar. Era isso, tinha de se conformar , perdera o amor da sua vida e não fora por descuido , o tiraram dela sem lhe perguntar. Roubaram a vida de seu amado. Roubaram-lhe a sua vida.
Passou a mão no rosto pálido, tentando limpar as lágrimas que se misturavam com a chuva . Desistiu. Levantou-se lentamente, pegou a caixinha preta molhada e segurou junto ao peito. Ela guardaria a caixinha para sempre, pois era a única lembrança concreta que lhe restara do dia mais feliz de sua vida . Já que aquele que era para ser o mais feliz de todos , se tornou o mais triste.
Foi andando e não olhou para trás . Como se conformava com uma coisa destas?

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